sábado, 14 de dezembro de 2013

Relato da minha Primeira Viagem / Do Oiapoque ao Chuí - Por Ingryd Sena


 

 

     "Era noite do dia 06/09/2013, considerado dia do “sexo” e como já estava saturada com os benditos pródromos que já havia me enganado durante duas semanas aponto de chegar a ir para Casa Ângela como alarme falso o que me deixava cada dia mais preocupada e ansiosa, decidir fazer jus o que tanto me falavam durante toda a gravidez e comemorar esse dia namorando. Depois de um bom banho, ao me deitar na cama a minha ideia de aproveitar a noite já não mais a mesma e iniciando a madrugada do dia 07 de Setembro, fomos surpreendidos pelo rompimento da bolsa,antes mesmo de qualquer toque e sem saber ao certo se de fato era mesmo o acontecido.Ligamos para Casa Ângela e de surpresa quem atendeu foi a Andressa, a mesma obstetriz que tinha nos atendido a duas semanas atrás no alarme falso.Ela me acalmou e perguntou se eu estava sentindo alguma contração,o que não estava já que a última foi sentida no meio dia do dia anterior,foi então que ela me mandou tomar um banho,colocar um pano em baixo das pernas e ir sem pressa para a Casa de Parto.Super feliz e só com uma pitada de curiosidade para saber o que iria acontecer em seguida fiz o recomendado.
Até a chegada a Casa Ângela deu uma hora da manhã, estava tranquila e fui recebida por 3 enfermeiras obstetras, a Dal,a Dessa e outra que não conhecia muito, chamo-as pelo apelido por conta da intimidade que a própria casa oferece.
A Dessa que fez todo o procedimento em mim: O  toque,  estava com um dedo de dilatação,o mesmo que a duas semanas atrás;O cardiograma e estava tudo bem;Me ofereceu um lanche pra não ficar de barriga vazia e disse que eu ia ficar, me falou do procedimento da Casa que era se por acaso desse 6 horas depois que estourou a bolsa e eu não estivesse nem com 4 dedos de dilatação eu iria ser transferida para um hospital de minha preferência, pois estaria com bolsa rota e poderia ser prejudicial ao Inandê,meu filho ainda não nascido. Fiquei preocupada, pois até então não estava sentindo nenhuma contração foi assim que eles iniciaram o trabalho de indução natural. Deram-me chá de canela sem açúcar, fiquei sentada na bola pulando umas duas horas, me deram sopa bem gostosa, rsrsrrsrs,conversávamos muito,isso foi fundamental pra mim,as contrações começaram a aparecer,comecei a andar,a dançar  e tive a sorte de ver o nascer do sol ,aproveitei para me religar comigo e com o Inandê, nessa hora chorei muito,estava feliz porque estava se aproximando, e tive muito medo também porque não tinha pensado em poder ir  pra um hospital, mais o sentimento oscilava  muito , era de extrema  felicidade a profunda tristeza de medo,ia ao céu e ao inferno em um minuto,do Oiapoque ao Chuí.
Deu 6 horas da manhã e seria a troca de enfermeiras, antes a Dessa me consultou e disse que estava muito bem com 4 dedos de dilatação e eu não precisaria ser transferida, ela me fez uma massagem para amenizar a dor que estava sentindo, aproveitei para dar uma cochilada.Conheci a outra enfermeira as 11 da manhã e ao fazer os exames percebeu que as contrações ainda não estavam ritmadas,estavam bem espaçadas de 15 a 15 minutos, ela disse que isso era ruim e teria que decidir em ter que induzir com a ocitocina  lá ou ser transferida para um hospital, nesse momento estava sozinha pois o Wagner pai do Inandê e meu companheiro não estava presente,tinha ido buscar as coisas em nossa casa,fiquei com medo e tive que decidir em induzir ali mesmo.Por sorte chegou a Maya uma estagiária que veio da Alemanha, virou minha “amiga”  e ficou no meu lado nesse momento me dando força, o Wagner chegou também e em seguida de surpresa a minha doula Nádia, surpresa porque havia ligado de manhã cedo para uma amiga nossa avisar a ela que iria ligar mais tarde para ela aparecer,mais por sorte ela chegou na hora certa.Após a indução comecei a sentir muito mais dor,andei muito para tentar amenizar as contrações,tentei de tudo,fiquei de quatro,abaixei,levantei,abracei ,andei,minha doula foi fundamental pois trabalhava de mais o meu psicológico,me dava massagem,as vezes resolvia as vezes não suportava,tomei banho,entrei na banheira,enfim,foi uma aventura só.Já não aguentava mais,estava cansada e só pensava em desistir, minha doula foi a minha fortaleza nesse momento.Lembro que eu gritava e falava,me leva logo para um hospital,não aguento mais,por favor,e ela dizia:
- Você aguenta, falta mais um pouco, ele já tá chegando, você é forte, guerreira, estamos juntos.
Eu a abraçava estava à vontade e segura perto delas. Quando chegou a hora de nascer, a dor foi muito para minhas pernas, tive cãibras. Mas no exato momento tive a força de um leão, e não doeu tanto como eu imaginava, como se meu corpo já estivesse preparado para fazer exatamente aquilo, senti muito prazer no momento em que ele saiu, na hora. Senti mais ainda quando deitei na cama com ele nos meus braços, estava totalmente acabada, aérea, não aguentava segurar ele direito, fiquei feliz e emocionada. Depois tomei banho de banheira e já senti nesse momento falta da barrida que diminuiu muito rápido. Meu filho nasceu grandão, não lindo no início, estava inchado, rsrsrsrrsr, mas adorava o chorinho dele. Tive 5 pontos no local,mais já estava ótima 8 horas depois. Assim, o Inandê  nasceu dia 07 de Setembro, dia da Independência  às 14:20 com 3,700 quiologramas e 52 centímetros de gostosura.Hoje meu grande amor."




Ingryd Sena

Relato pela Doula AQUI

2 comentários:

Leticia Mara disse...

Nossa muito lindo e emocionante!
"Nosso corpo é incrível". :)

Carla Vanessa disse...

Como é maravilhoso e totalmente prazeroso ouvir a versão das nossas doulandas e descobrir que cumprimos o nosso papel e fizemos toda a diferença p elas! Parabéns p as duas guerreiras doula e doulanda!