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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Câmara analisa projeto que obriga serviço de saúde a permitir doula no parto

Parturientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) podem passar a ter direito à presença de uma doula durante o parto e no pós-parto imediato, conforme prevê o Projeto de Lei 5304/13, dos deputados Vanderlei Siraque (PT-SP) e Janete Rocha Pietá (PT-SP). A regra valerá também para os planos de saúde. A Lei Orgânica da Saúde (8.080/90) assegura às parturientes apenas a presença de um acompanhante.
De acordo com os autores, estudos internacionais mostram que o acompanhamento dos partos por doulas apresenta resultados positivos, com a diminuição das taxas de cesárea, trabalho de parto mais curto, menos uso de medicação e de fórceps. Afirmam ainda que ocasiona amamentação mais prolongada e menor incidência de depressão pós-parto.
Resultados
Siraque e Janete Pietá citam especificamente um estudo de Klaus e Kennell, de 1993, que apresenta os seguintes resultados da presença da assistente de parto:
- redução de 50% nos índices de cesáreas;
- de 25% na duração do trabalho de parto;
- de 60% dos pedidos de analgesia peridural; e
- de 40% no uso de fórceps.
Os autores argumentam ainda que a figura da doula – palavra grega que significaria “mulher que serve” – surgiu na década de 1980 com o objetivo de amenizar o excesso de “medicalização” e resgatar a rede de apoio entre mulheres durante o parto.

Ramitação
O projeto está apensado ao PL 6567/13, do Senado, que obriga o SUS a obedecer às diretrizes e orientações técnicas e oferecer as condições que possibilitem a ocorrência do parto humanizado em suas dependências. As duas propostas serão analisadas, em caráter conclusivo, pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Doula a quem doer ~ por Ana Cristina Duarte

www.carlaraiter.com
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia
"Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo. Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função. Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da assistência ao parto.

Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto. Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.


Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.
No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.
Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.
Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.
Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.
Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.
Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo."

Ana Cristina Duarte obstetriz pela USP e instrutora em capacitação para Doulas, é coordenadora do Grupo de Apoio a Maternidade Ativa (GAMA) e autora do Livro: Parto Normal ou Cesária? O que toda mulher deve saber ( e homem também)


Fonte

sábado, 11 de janeiro de 2014

Entenda o que é doula ~ pelo site bebe.com.br (18-04-2013)

ThinkStock
“Conheça a importância do trabalho destas mulheres que ajudam a transformar a experiência do parto em um momento ainda mais especial e tranquilo.

O que é uma doula?
“Ela olhava nos meus olhos e dizia que eu iria conseguir. Não consigo imaginar meu trabalho de parto sem aquelas massagens que minha doula fazia. Eu sabia que estava em boas mãos e pude realizar um sonho: parir meu filho”, suspira Erika Patrícia Costa Farias, mãe de Pedro de 4 anos e Luis de 6 meses. O primeiro, nascido por meio de uma cesárea. O segundo nasceu em um parto natural restaurador, sem analgesia, na banheira do Hospital São Luiz Itaim, em São Paulo.Assim como Erika, muitas mulheres sonham em conseguir um parto normal, mas a maioria teme sentir dores insuportáveis e passar por este momento sem o apoio necessário. Esta é a principal função das doulas: dar suporte físico e emocional à gestante em trabalho de parto. Doula não é parteira, não é enfermeira, nem substitui a presença do pai. Doula não faz qualquer tipo de procedimento invasivo como exame de toque ou administração de medicamentos. 

No trabalho de parto, a profissional ajuda a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados.“Ter a doula ao nosso lado foi fundamental. Ela me ajudou a ficar firme e não me desesperar vendo a Mariana sentir as contrações”, afirma Gabriel Guimarães, que viveu o trabalho de parto intensamente com sua esposa.

O serviço desta assessora começa antes do dia do nascimento do bebê, com encontros para conhecer a gestante e informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação do períneo e elaboração do plano de parto. E também continua após a chegada do novo membro da família, tirando dúvidas sobre o início da amamentação e conversando sobre a experiência do parto.

Maíra Duarte, doula há mais de três anos, diz que o mais importante para ela é levar informação de qualidade para que o casal consiga vivenciar o momento de dar à luz sem medo. “Maíra me sugeriu posições, fez massagem, olhou nos meus olhos e encorajou meu marido... Meu trabalho de parto durou cerca de 22 horas e esse apoio foi importantíssimo”, conta Camila Souza Torelli, que escolheu Maíra para ser sua acompanhante no parto de seu filho, Antônio.

Após tentar o parto natural, Silvia Kawata precisou aceitar a necessidade de passar por uma cesárea e conta que não abriu mão do apoio da doula durante a cirurgia. “Nossa doula me deu conforto físico e psicológico tanto durante o trabalho de parto, quanto durante e após a cirurgia. Ficou comigo até a hora em que fui levada para a sala de pós-operatório e me disse palavras de carinho”, explica Silvia, que pôde contar com a presença da doula no centro cirúrgico por se tratar de uma cesárea necessária. As doulas costumam apoiar o parto natural e, dificilmente, concordam em acompanhar a gestante durante uma cesárea eletiva.


Doulas X Maternidades
A entrada das doulas não é permitida em todas as maternidades do Brasil. Por isso, antes de escolher o hospital que dará à luz, informe-se se a instituição permite a entrada desta profissional.

A Associação de Doulas de São Paulo acredita que este tipo de proibição aconteça por causa da falta de conhecimento sobre o trabalho dessas profissionais. “Por isso, uma das principais propostas da ADOSP é a conscientização voltada para diferentes públicos sobre quem é a doula, o que ela faz e não faz, assim como apresentar os benefícios desta acompanhante de parto profissional”, explica Daniela de Almeida Andretto, doula e membro da Comissão Científica da ADOSP.

O trabalho da doula é reconhecido?
A atuação da doula durante o parto é reconhecida e estimulada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Estudos mostram que a presença delas ajuda a diminuir em 50% os índices de cesáreas, 25% a duração do trabalho de parto, 60% os pedidos de analgesia peridural, 30% o uso de analgesia peridural, 40% o uso de ocitocina e 40% o uso de fórceps. O apoio profissional recebido durante o trabalho de parto e pós-parto aumenta as sensações de bem-estar da mãe e que esta ajuda combate a depressão pós-parto.

Além de todo o suporte físico e psicológico, elas informam e orientam as mães a respeito dos procedimentos considerados desnecessários de acordo com as atuais evidências científicas e orientações da OMS. “Apesar de todas as evidências a favor da livre deambulação durante as fases de dilatação e expulsão, as mulheres ainda são levadas a parir em posição ginecológica, com as pernas amarradas aos estribos”, exemplifica a obstetra Carla Polido, professora assistente do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

Em muitos países, como Canadá e Estados Unidos, o acompanhamento das doulas é incentivado pelos médicos. A neurocientista brasileira Andreia Mortensen vive em Oregon, Estados Unidos, e afirma que até os cursos para gestantes dos hospitais costumam ser ministrados por estas profissionais.

Por aqui, as doulas já foram incluídas na Classificação Brasileira de Ocupação e conquistam seus certificados em cursos de até 200 horas que ensinam, além da teoria sobre o parto e as práticas para a profissão, todos os cuidados a respeito da proteção individual e das gestantes em um ambiente hospitalar. As aulas costumam ser ministradas por doulas experientes e obstetrizes em núcleos de apoio ao parto natural. Os mais conhecidos são o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, a Associação Nacional de Doulas e a Casa Moara. Para fazer o curso não é necessário ter formação na área da saúde.

Como encontrar uma doula?
Você consegue encontrar uma doula no site Doulas do Brasil, pesquisando em listas de discussão de gestantes na internet e blogs que algumas profissionais mantêm. Ela pode ser contratada em qualquer período da gestação.

A escolha da doula é fundamental, pois precisa haver empatia entre ela e a gestante para que exista confiança e cumplicidade no momento do parto. Cada doula tem um jeito de trabalhar e você deve escolher a que melhor se adequa as suas necessidades. Mas é importante lembrar que apenas ter uma doula não é garantia para se conseguir um parto natural. Em um país onde quase 90% dos partos em hospitais particulares são cesáreas (quando a recomendação da OMS é que haja no máximo 15%), é necessário ter ao seu lado um obstetra que realmente aceite acompanhar partos naturais e com a presença de uma doula. “Se a gestante tem interesse em receber o apoio contínuo da doula durante do trabalho de parto, ela pode compartilhar esse desejo com seu médico e tentar promover um encontro entre ambos”, orienta Daniela que acredita que este pode ser o início de uma parceria de respeito entre os profissionais de assistência ao parto."

Alessandra Rebecchi Feitosa

Fonte: bebe.com.br

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O que é Doula? ~ ANDO


"A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo hoje utilizada para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando.

Antigamente o nascimento humano era marcado pela presença experiente das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Atualmente os partos acontecem em ambiente hospitalar e rodeado por especialistas: o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. O cuidado com o bem estar emocional da parturiente acabou ficando perdido em meio ao ambiente impessoal dos hospitais, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando a luz e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.
A doula veio justamente para preencher esta lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que passa a ser incentivada agora com respaldo científico.

Os resultados deste apoio vêm trazendo revelações surpreendentes na redução das intervenções e complicações obstétricas, bem como facilitando o vínculo entre mãe e bebê no pós-parto.



O que a Doula faz?

•Oferece suporte emocional através da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranqüilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorece a manutenção de um ambiente tranqüilo e acolhedor, com silêncio e privacidade.
•Oferece medidas de conforto físico através de massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentações que auxiliem o progresso do trabalho de parto e diminuição da dor e desconforto.
•Oferece suporte informativo explicando os termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
•Também atua como uma ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, fazendo os contatos que a mulher desejar.
•A doula se faz importante até mesmo num parto cesárea, onde continua dando apoio, conforto e ajudando a mulher a relaxar e tranqüilizar-se durante a cirurgia.
•Pode estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e com a amamentação.

O que a Doula não faz?

•Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos.

•Não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
•Não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.
•Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente. Nesse caso a doula orienta o pai ou acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher.

Vantagens

Klaus e Kennel publicaram em 1993 em “Mothering the mother“(13) um estudo onde apontaram os resultados globais da presença da doula no trabalho de parto e parto, como pode ser visto abaixo:

•Redução de 50% nos índices de cesariana
•Redução de 25% na duração do trabalho de parto
•Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural
•Redução de 30% no uso de analgesia peridural
•Redução de 40% no uso de ocitocina
•Redução de 40% no uso de fórceps
Outros estudos (8-12) também mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos nas 4ª a 8ª semanas após o parto:
• Aumento no sucesso da amamentação
• Interação satisfatória entre mãe e bebê
•Satisfação com a experiência do parto
•Redução da incidência de depressão pós-parto
•Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima
As revisões da literatura científica elaboradas pelo notório grupo científico da Cochrane Collaboration’s Pregnancy and childbirth Group (3,4) inclui e valida diversos estudos abrangendo uma grande diversidade cultural, econômica e com diferentes formas de assistência. Confirma claramente que a presença da doula no suporte intra-parto contribui para a melhora nos resultados obstétricos, diminui as taxas das diversas intervenções e promove a saúde psico-afetiva da mãe e do vínculo mãe-bebê.
O mesmo grupo, em sua revisão publicada em 1998 declarou: “Devido aos claros benefícios e nenhum risco conhecido associado ao apoio intra-parto, todos os esforços devem ser feitos para assegurar que todas as mulheres em trabalho de parto recebam apoio, não apenas de pessoas próximas, mas também de acompanhantes especialmente treinadas. Este apoio deve incluir presença constante, fornecimento de conforto e encorajamento.”

Reconhecimento e Recomendação pela OMS (Organização Mundial de Saúde)

A OMS (Organização Mundial de Saúde)
incentiva o apoio da doula no parto:

"O apoio físico e empático contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos partos operatórios."
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. OMS. Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra: OMS, 1996
Revisão da Biblioteca Cochrane, 2010, conclui que:
"Todas as mulheres devem receber o apoio de um acompanhante especialmente capacitado durante o trabalho de parto e parto"
O suporte contínuo durante o parto oferecido por acompanhante capacitada:
•Aumenta as taxas de parto normal
•Reduz a duração do TP e a necessidade de analgesia
•Maior satisfação com a experiência de parto

Ministério da Saúde recomenda o suporte da Doula

"O apoio da doula, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis."
"O acompanhamento da parturiente pela doula reduz a duração do trabalho de parto, o uso de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios. Alguns estudos também mostram a redução do número de cesáreas. Também é observado que os grupos de parturientes acompanhadas durante o parto pela doula têm menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção que as parturientes dos grupos de controle."

Código de Ética da Doula

I. Regras de Conduta
A. Atitude: A doula deve manter padrões elevados de conduta pessoal na capacidade ou identidade como provedora de apoio ao trabalho de parto.
B. Competência e Desenvolvimento Profissional: A doula deve buscar se manter competente na prática profissional e na sua performance das funções profissionais através de educação continuada, afiliação em organizações relacionadas e associação com outros provedores de cuidados para o trabalho de parto e parto.
C. Integridade: a doula deve agir de acordo com os mais elevados padrões de integridade profissional.
II. Responsabilidade Ética com as Clientes
A. Prioridade dos Interesses da Cliente: A responsabilidade primeira da doula é com as clientes
B. Direitos e Pregorrativas das Clientes: A doula deve fazer todo o esforço para formentar o máximo de autodeterminação por parte das clientes.
C. Confidencialidade e Privacidade: A doula deve respeitar a privacidade das clientes e guardar em confiança toda informação obtida durante o período de serviço profissional.
D. Dever de servir: A doula deve dar assistência a cada cliente que busque apoio no trabalho de parto, seja oferecendo serviços ou indicando referências apropriadas.
E. Confiabilidade: Quando a doula concorda em trabalhar com uma cliente em particular, sua obrigação é fazê-lo em confiança, sem falhar, pelo termo de acordo.
F. Honorários: Ao estabelecer o preço dos honorários, a doula deve assegurar que seu preço seja justo, razoável, considerando os serviços realizados e a habilidade da cliente em poder pagar. A doula deve claramente estabelecer seu preço para a cliente, descrevendo os serviços, termos de pagamento e políticas de reembolso.
III. Responsabilidade Ética com seus Colegas
A. Respeito, Justiça e Cortesia: A doula deve tratar seus colegas com respeito, cortesia, justiça e bondade.
B. Lidando com as clientes dos colegas: A doula tem responsabilidade para se relacionar com as clientes dos colegas com consideração profissional integral.
IV. Responsabilidade ética com a Profissão de Suporte no Trabalho de Parto
A. Manter a Integridade da profissão: A doula deve preservar e aumentar os valores éticos, conhecimento e missão de profissão.
B. Serviços Comunitários: A doula é encorajada a dar assistência na visão da ANDO de “uma doula para cada mulher que queira” reduzindo os custos ou não
cobrando os serviços de suporte no trabalho de parto sempre que possível.
V. Responsabilidade ética com a Sociedade
A. Promovendo Bem-estar Materno Infantil: A doula deve promover a saúde geral de mulheres e seus bebês, sempre que possível, assim como de sua família e seus amigos."

Fonte: ANDO (Associação Nacional de Doulas)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Parto sem Doula? ~ por Camila Goytacaz


"Tem gente que não sabe direito o que faz a doula. Quando a dúvida é de quem nunca pariu, tudo bem, só na hora P para entender a importância das acompanhantes. Mas fico triste quando escuto mulheres que já são mães perguntando sobre as doulas. Triste ver uma parida que não foi doulada. Sinto pelo que ela perdeu.

Um abraço acolhedor. Uma mão suave massageando as costas. Uma xícara de chá. Uma posição para ajudar o bebê a descer. Uma pessoa preparada: doulas vêm com o coração aberto e uma mochila cheia de truques. Bola para exercício, bolsa de água quente, óleos, rebozo, (um pano estrategicamente colocado nos quadris que faz maravilhas) e muito amor. As mais modernas trazem também ipods, máquina fotográfica e outros equipamentos para que o parto seja registrado, musicalizado, conectado e tudo mais que a gestante tiver vontade.

É a doula quem, gentilmente, prende o seu cabelo. Te ajuda a se vestir, a se enxugar, a se banhar, a gritar. Se você chorar, te acolhe. Se sorrir, ela ri. Se quiser companhia, vale por vinte, mas se precisar ficar sozinha, ela some, desaparece, como mágica. E sim, algumas são mesmo magas, fadas, bruxas, chame como quiser, doulas têm superpoderes.
Conheço algumas lindas. Uma é amiga bem próxima, que sai na pontinha dos pés durante a madrugada para não acordar os filhos. Sem hora para voltar, deixa tudo: seu curso, seu sono, seus problemas, a reforma da casa, a lista da escola. Só pensa na mulher que vai parir. Bela nos doulou em dois partos e muito, muito além dos partos. No parto da minha filha, na fase ativa, entre uma contração e outra, deitada com ela em minha cama, eu disse: não sei como alguém pode ser doula. Ela apenas sorriu. Disse pensando no profundo nível de entrega que a missão carrega. Chegar à casa de uma mulher e começar a cuidar dela, em um momento tão íntimo, segurando forte na mão, fazendo monitoramento, passando informação ao restante da equipe, não é para qualquer uma. É preciso vocação.
E quando chega o bebê o trabalho da doula vai chegando ao fim. Muitas choram, emocionadas. Ajudam a acolher o bebê e novamente, banhar e vestir a mãe, alimentar, fotografar. Sem as doulas, muitas mulheres viveriam seus partos sem matar a sede de água e de acolhimento. Doulas acompanham o casal neste momento único de sua jornada. Sim, elas atendem aos pais também, atuam, generosamente, para que eles encontrem espaço dentro do parto. 

E agora falam em proibir este trabalho. Proibir as doulas é como tirar as flores do jardim, é como apagar a chama das velas, é como ir à praia sem sol e ter frio sem cobertores. Parto sem doula é parto sem carinho, parto sem doula pode até, lamentavelmente, deixar de ser parto. E o que serão das mulheres sem parto? "