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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Indicações Reais de Cesariana ~ por Ivnakelly Pinna



  • "A primeira indicação real é: Prolapso de cordão – com dilatação não completa
É um evento raro, que acontece em cerca de 1 entre cada 1000 partos. Acontece quando o cordão umbilical precede o bebê no passagem pelo canal de parto. O prolapso torna-se evidente quando as membranas se rompem e o cordão umbilical sai pela vagina antes do bebê emergir. Pode ocorrer em partos pélvicos (quando o bebê está de bumbum) ou quando a apresentação é cefálica, sobretudo se houver uma ruptura prematura das membranas, ou se o feto não estiver descido para a pélvis. Se o feto não tiver descido, o fluxo de líquido provocado pela rotura das membranas desloca primeiro o cordão e depois o feto. Quando ocorre um prolapso de cordão é necessário fazer a cesariana para evitar que o feto seja lesado por causa da falta de sangue e oxigenação. Até que a intervenção cirúrgica aconteça o médico ou enfermeira mantêm o bebê afastado do cordão umbilical para que não se interrompa o fluxo sanguíneo no cordão prolapsado.
No prolapso oculto, as membranas estão intactas e o cordão se encontra na frente do feto. Geralmente o prolapso oculto é identificado por causa do padrão anormal da frequência cardíaca fetal. O problema pode ser resolvido mudando a posição da mãe. Caso o problema persista pode ser necessário uma cesariana.
  • A segunda indicação é: Deslocamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo 
Vital para o feto, a placenta se forma como um órgão especial para a ele servir. Serve como pulmão, trato intestinal e rins para o feto, funcionando como um órgão para troca de nutrientes entre mãe e feto, também como órgão endócrino produzindo hormônios para manutenção da gravidez.
O deslocamento prematuro da placenta (DPP) é caracterizado pelo deslocamento espontâneo parcial ou total da placenta durante a gestação a partir de 20 semanas ou no primeiro e segundo períodos do parto.
As principais causas são descolamentos traumáticos (exemplos: queda ou traumatismo sobre o abdome, versão por manobra externa e cordão muito curto) e os descolamentos espontâneos (exemplos: síndromes vasculorrenais e intercorrência inopinada).
A mulher relata, na maioria das vezes, dor abdominal intensa acompanhada de sangramentos com coágulos e diminuição dos batimentos fetais ou interrupção do mesmo. Os sintomas dependem diretamente da extensão da área descolada da placenta podendo ser mais ou menos intensa.
As condutas para os casos de DPP são as seguintes: Controlar hemorragia e reverter choque (Controlar sinais vitais e batimento cardíacos fetal para detectar choque iminente e vitalidade fetal, avaliar perda sanguínea e comparar com sinais vitais, cateterizar veia e administrar líquidos parenterais ou sangue para repor perda sanguínea e evitar choque, requisitar hemograma e dosagem de fibrinogênio plasmático com freqüência e aliviar dor), descompressão uterina e indução do parto (realizar o parto o mais precocemente possível, rotura ampla das membranas, pode ser indicado de anti espasmódicos e oxitócitos, estabelecer oxigenoterapia, parto vaginal é tratamento de escolha com colo dilatado, sangramento moderado e choque mínimo, cesárea de emergência quando o colo não está dilatado e o feto vivo e se evoluiu mal o trabalho de parto), Controlar altura uterina, supervisionar para evitar complicações pós parto (controlar sinais vitais e tônus muscular uterino, identificar sinais de infecção e controlar débito urinário). (CARVALHO, 2002)*
  • A terceira indicação é: Placenta prévia parcial ou total
A placenta prévia é uma complicação que surge quando a placenta está localizada na parte inferior do útero cobrindo-o total ou parcialmente. Descrevem-se três tipos de placenta prévia, de acordo com a localização placentária, em relação ao orifício interno do colo:
Total: quando recobre toda a área do orifício interno;
Parcial: quando o faz parcialmente;
Marginal: quando a margem placentária atinge a borda do orifício interno, sem ultrapassá-lo.
A placenta prévia incide em 0,5 a 1,0% das gestações, sendo que ocorre com maior freqüência nas multíparas e em gestante com idade mais avançada. Outros fatores predisponentes são: história de abortamento, cesarianas, gravidez gemelar e malformações fetais.
O diagnóstico é clínico e ultra-sonográfico. Clinicamente, é relatada perda sanguínea por via vaginal, indolor, súbita, de cor vermelho-viva, em geral de pequena quantidade. É episódica, recorrente e progressiva. O exame obstétrico revela volume e tono uterinos normais. Habitualmente, os batimentos cardíacos fetais estão mantidos. A ultra-sonografia confirma o diagnóstico e a localização placentária. Quando o exame ultra-sonográfico não é possível, o toque não deve ser realizado (precavendo-se contra eventual perda sanguínea placentária) e, de preferência, em ambiente com recursos cirúrgicos.
A conduta depende dos seguintes parâmetros: tipo de localização placentária, volume de sangramento, idade gestacional e condições de vitalidade fetal. A via de parto dependerá, além das condições maternas, do tipo de placenta prévia. Nas marginais, a via preferencial é a vaginal. Para as totais a indicação de cesariana, com feto vivo ou morto. Para as parciais, há indicação de cesareana.
  •  A quarta indicação é: Apresentação córmica (situação transversa), durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão) 
É quando o a apresentação do eixo longitudinal do feto está perpendicular ao eixo longitudinal do útero. Posição anormal do feto (bebê atravessado). Os ombros entram primeiro no canal de parto, antes da cabeça.
Dada a impossibilidade de nascimento espontâneo, constitui indicação absoluta de cesariana intraparto. Se o diagnóstico for feito ainda no pré-natal, a causa pode ser investigada, caso não seja encontrada uma causa determinante, o parto vaginal pode ser tentado mediante uma versão externa na 37ª semana. Diante do insucesso da versão, a cesareana será indicada, uma vez iniciado o trabalho de parto. Não é recomendado a cesárea eletiva, por aumento da morbidade perinatal.
  • A quinta indicação é: Ruptura de vasa praevia 
Ocorre em 1 parto para cada 2000-3000 partos. É uma complicação obstétrica na qual há vasos fetais cruzando ou atravessando em proximidade com o orifício interno do cérvice uterino. Estes vasos possuem riscos de ruptura quando suas membranas de suporte rompem.
Geralmente o diagnóstico é feito no momento do parto. Um padrão cardíaco fetal sinusóide, bradicardia fetal ou desacelerações da frequência cardíaca fetal durante o parto podem ser indicativos de uma vasa praevia rompida.
Ocasionalmente pode ser diagnosticada antes do parto através de palpação ou exame ultrassonográfico transvaginal.
O tratamento é a realização de uma cesareana de urgência. O diagnóstico pré-natal de vasa praevia tem sido associado a uma diminuição da taxa de mortalidade perinatal, melhor desempenho neonatal e a menor necessidade de suporte transfusional do recém-nascido.
  • E a sexta indicação é: Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto
A maior parte das mulheres com herpes genital dá à luz bebês saudáveis. Mas, caso exista manifestação de herpes genital no momento do parto, há um risco do bebê pegar a infecção durante o trabalho de parto e o parto em si. Se isso acontecer, as consequências em alguns casos podem ser muito graves, inclusive fatais. Por isso a indicação de cesariana.
Por esse motivo, é muito importante informar ao médico se a mulher ou seu parceiro já tiveram alguma manifestação de herpes genital ou se existe algum sintoma. Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, mas costumam ser mais graves seguindo-se ao contágio, pois o corpo ainda não tem anticorpos para combater o vírus. Nessas ocasiões, além de coceira, ardor e lesões na área genital, sintomas de gripe podem aparecer, como febre, dor de cabeça e dores musculares. Algumas grávidas chegam a precisar de tratamento intravenoso e desaparecendo a manifestação não necessitará de cesárea.
Ivnakelly Pinna, turismóloga por formação, que resolveu abandonar tudo depois do nascimento do rebento, hoje com quatro anos. Atualmente atuando como doula em Fortaleza e levantando várias bandeiras como amamentação em livre demanda e prolongada, criação com apego e criança livre de consumo.
Obs: Foram consultados vários artigos FEMINA e o blog Estuda, Melania, Estuda. 
*CARVALHO, G. M. Enfermagem em obstetrícia. São Paulo: E.P.U – Editora Pedagógica e Universitária Ltda, 2002. 225p."

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Indicações Reais e Fictícias para a Cesária ~ por Melania Amorim e Ana Cristina Duarte

Imagem da internet

REAIS

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;

2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;

3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);

4) Apresentação córmica (situação transversa) - durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão);

5) Ruptura de vasa praevia;

6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.

PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA

1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);

2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);

3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma.

SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO

1) Apresentação pélvica (recomenda-se a versão cefálica externa com 37 semanas mas se não for bem sucedida, discutir riscos e benefícios com as gestantes: o parto pélvico só deve ser tentado com equipe experiente e se for essa a decisão da gestante);

2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – variando de 0,5% - 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);

3) hiv/aids (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em 
franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.


Algumas desculpas utilizadas pelos profissionais para realizar uma DESNEcesárea (em ordem alfabética)
1 Abdominoplastia prévia
2 Aceleração dos batimentos fetais
3 Adolescência
4 Ameaça de chuva/temporal na cidade
5 Anemia falciforme
6 Anemia ferropriva
7 Anencefalia
8 Artéria umbical única
9 Asma
10 Assalto ou outras formas de violência (gestante ou familiar foi vítima de assalto, então o bebê pode ficar estressado)
11 Bacia “muito estreita”
12 Baixa estatura materna
13 Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
14 Bebê alto, não encaixado antes do início do trabalho de parto
15 Bebê profundamente encaixado 
16 Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto 
17 Bebê "grande demais" (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal). 
18 Bebê "pequeno demais" 
19 Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
20 Calcificação da sínfise púbica (alegando-se que ocorreria em TODAS as mulheres com mais de 35 anos, impedindo o parto normal)
21 Candidíase
22 Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
23 Cegueira materna
24 Cesárea anterior 
25 Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
26 Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
27 Cirurgia gastrointestinal prévia 
28 Colestase gravídica 
29 Coleta de sangue do cordão umbilical para congelamento e preservação de células-tronco
30 Colo grosso, colo posterior, colo duro, colo alto e (paradoxalmente) colo curto
31 Colostomia
32 Conização prévia do colo uterino 
33 Constipação (prisão de ventre)
34 Cálculo renal 
35 Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
36 Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
37 Diabetes mellitus clínico ou gestacional
38 Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto e antes da dilatação de 8 a 10 cm
39 Dorso à direita, dorso posterior, ou dorso em qualquer outro lugar
40 Edema de membros inferiores/edema generalizado
41 Eletrocauterização prévia do colo uterin
42 Endometriose em qualquer grau e localização 
43 Epilepsia e uso de qualquer droga antiepiléptica
44 Escoliose
45 Espondilite anquilosante – Qualquer espondiloartropatia
46 Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
47 Exérese prévia de pólipos intestinais por colonoscopia
48 Falta de dilatação antes do trabalho de parto
49 Feto com "unhas compridas"
50 Feto morto 
51 Fibromialgia 
52 Fratura de cóccix em algum momento da vida
53 Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
54  Gestação gemelar com os dois conceptos, ou o primeiro, em apresentação cefálica
55 Gravidez não desejada 
56 Grumos no líquido amniótico
57 HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
58 Hemorroidas
59 Hepatite B e hepatite C
60 Hiperprolactinemia
61 Hipertireoidismo
62 Hipotireoidismo 
63 História de cesárea na família 
64 História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
65 História de depressão pós-parto 
66 História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior 

       67 História de trombose venosa profunda 

68 História familiar de fibrose cística do pâncreas
69 Idade materna "avançada" (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
70 Incisura nas artérias uterinas (pesquisada inutilmente, uma vez que não se deve realizar dopplervelocimetria em uma gravidez normal)
71 Infecção urinária
72 Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês "superdesejados" teriam melhor prognóstico com a cesárea) - motivo pelo qual esses bebês aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal
73 Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem) 
74 Laparotomia prévia 
75 Líquido amniótico em excesso
76 Magreza da mãe
77 Malformação cardíaca fetal
78 Mecônio no líquido amniótico (só indica cesariana se houver associação com padrões anômalos de frequência cardíaca fetal, sugerindo sofrimento fetal)
79 Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)
80 Miscigenação racial (pelo "elevado risco" de desproporção céfalo-pélvica)
81 Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
82 Obesidade materna
83 Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
84 Paciente “não tem perfil para parto normal”
85 Paciente “não ajuda para o parto normal” (momento vidente ON: “no fundo ela quer cesárea”)
86 Parto "prolongado" ou período expulsivo "prolongado" (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas)
87 “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparent emente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas) 
88 Perineoplastia anterior
89 Pé nas costelas
90 Pé torto congênito
91 Placenta grau III ou II ou I ou qualquer outra classificação

92 Plaquetas baixas não oclusivas do colo do útero

93 Possível falta de vaga em maternidade para um parto normal, caso a gestante não marque a cesárea
94 Pouco líquido no exame ultrassonográfico (sem indicação no final da gravidez em gestantes normais)
95 Praticar musculação ou ser atleta 
96 Pressão alta 
97 Pressão baixa
98 Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
99 Profissão professora
100 Prolapso de valva mitral 
101 Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
102 Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez 

103 Reação vasovagal

104 Sedentarismo

105 Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via histeroscópica
106 bailarina
107 Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico
108 Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia 
109 Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
110 Tabagismo
111 Trabalho de parto prematuro 
112 Tricomoníase
113 Trombofilias 
114 Trombose venosa profunda
115 Varizes uterinas 
116 Uso de antidepressivos ou antipsicóticos 
117 Uso de aspirina
118 Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
119 Útero bicorno
120 Útero retrovertido
121 Vaginose bacteriana
122 Varizes na vulva e/ou vagina


Melania Amorim médica-obstetra, formada pela UFPB, com residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP, mestrado em saúde materno-infantil (ênfase em saúde coletiva) pelo IMIP, doutorado e pós-doutorado em Tocoginecologia pela Unicamp e pós-doutorado em Saúde Reprodutiva pela Organização Mundial de Saúde. Dona do blog: Estuda Melania Você Clica AQUI e lê as Evidências Científicas que tem no blog dela, sobre esse assunto. no 5º parágrafo (têm três links para estudo).

Ana Cristina Duarte  Obstetriz pela USP, Educadora Perinatal, Palestrante na área de Humanização da Assistência ao Parto, Coordenadora do GAMA (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa) Autora do livro: "Parto Normal ou Cesária? O que toda mulher deve saber (e todo homem também)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Deixe-nos PARIR!!! ~ por Ana Cristina Duarte

Amiga parteira, amiga(o) médica(o): quando a gestante te ligar dizendo que está com medo, está cansada, está com dor no ciático, está muito inchada, descarta qualquer patologia (por telefone ou pessoalmente), o seu papel é de acalmá-la, trazer à realidade, lembrá-la do quão importante é o parto natural para ela e para o bebê, lembrá-la de que qualquer intervenção agora sem uma razão clínica, não é a melhor escolha para eles. Ela não está pedindo uma cesárea, nem internação, nem indução, nem intervenções. Ela quer ajuda! E essa ajuda pode ser uma massagem, acupuntura, conversar com a doula, passar em consulta com você para se acalmar, frequentar o grupo de apoio, escrever para o grupo virtual de mães, etc..
Querida(o)s Amiga(o)s profissionais de saúde: as mulheres querem ser cuidadas, só isso. E nem sempre abrir a barriga ou interromper a gravidez daquela mulher sem uma razão clínica é o melhor cuidado que se pode oferecer!
Se você não aguenta mais, procure seus colegas mais "radicais". Divida suas angústicas! ACD


5 Técnicas de Assistência ao Período Expulsivo (TAPE), para médicos, enfermeiros obstetras e obstetrizes (dados ainda não publicados):
1) Sentar sobre as próprias mãos até ficarem dormentes. Soltar as mãos e balançar no ar até a circulação voltar. Sentar novamente. Repetir até o nascimento da cabeça do bebê.
2) Tricot: aprenda pelo menos dois tipos de ponto, use um durante as contrações e o outro nos intervalos das contrações. Ao nascimento do bebê, verifique o tamanho do cachecol que você fez!
3) Pintura de mandalas: pinte com o máximo possível de cores, sem errar e sem sair da linha. Se sair, comece outra. Não pare antes de completar uma mandala inteira de pelo menos 20 cm de diâmetro, ou um bebê nascido, o que vier primeiro.
4) Apneia: durante a contração, prenda a respiração. Nos intervalos, respire profundamente com os olhos fechados. Conte os segundos com os dedos das mãos, para mantê-las ocupadas. Se sentir tontura, saia da sala por 30 minutos. Volte depois que se recuperar, e recomece.
5) Massagem: escolha outro membro da equipe e faça uma massagem completa com o óleo da doula, começando pelo couro cabeludo (sem óleo), depois nunca, ombros, braços e mãos, principalmente. Se você tem mais intimidade com o outro membro (e por favor, não precisa entrar em detalhes), pode continuar com a massagem até onde achar apropriado. Se necessário, solicite um recinto privativo para a enfermagem. Depois invertam. Parem quando o bebê estiver nascendo. Se você estiver sem roupa, pare quando estiver coroando e vista-se adequadamente.


Atenção amigo obstetra: bolsa rota prematura, sem infecção, não é para fazer uma cesárea. É para aguardar, fazer antibioticoterapia, corticoide, exames, repouso, internação, mas não é para fazer uma cesárea. Entenda, amigo, que nem tudo nesse mundo se resolve com cesárea. Tudo bem? Estamos combinados? Porque olha, quando você opera esse prematuro, ele pode morrer, viu? OU ter graves sequelas, porque ele é PRE-MATURO (AINDA NÃO ESTÁ MADURO). Posso desenhar, sem problemas.

Ana Cristina Duarte